Domingo, 9 de Março de 2008

Quando Laranja Mecânica acabou de passar na sala esgotada da Cinemateca, soaram palmas. Eu, francamente, não me senti nada contagiado pelos fans deste clássico de culto de Stanley Kubrick. Na verdade, não gostei muito do filme. Contudo, percebo que é especial. Sobretudo se se pensar que foi realizado em 1971. Talvez eu tivesse batido palmas no dia da sua estreia. Mas ainda não estava neste mundo. O que já adianta muito sobre a originalidade da película.
Num mundo meio futurista meio conservador, violência e sexo são os passatempos preferidos dos adolescentes depois de beberem uma espécie de leite aditivado com estimulantes de agressividade. O líder, auto-nomeado Alexander the Large (Malcolm McDowell), acaba por ser traído pelo grupo e é preso. Na cadeia, voluntaria-se para fazer parte da experimentação de um novo método de reabilitação que consiste em ver filmes de violência e sexo horas seguidas sem poder pestanejar até criar aversão ao que vê e ouve (logo por azar também passou a sua música favorita).
Esta é, para mim, a parte mais interessante do filme. Remete para uma ideia que eu sempre tive que é a de que o cinema pode mudar mentalidades e atitudes numa sociedade agarrada a convenções. Creio que Kubrick quis dizer nas entrelinhas (neste caso, entre frames) que o cinema tem um poder imensurável e influencia o curso da vida individual e colectiva. O cinema muda o mundo.


Depois, segue-se uma sucessão de vinganças das quais Alex não consegue defender-se devido ao tratamento até que cai num jogo de interesses políticos sendo manipulado como um fantoche sem vida. O capelão da prisão tinha avisado Alex, quando este lhe pediu conselho sobre o programa governamental de erradicação da criminalidade, que a bondade devia ser uma escolha e quando um homem não pudesse escolher deixava de ser um homem.
Ao nível do argumento e da técnica, A Clockwork Orange é também um objecto de experimentação, o que o torna prestável a todo o tipo de análise possível. Mas não me convenceu a entrar nessa espiral de adoração.


publicado por garçon às 19:18 | link do post | comentar | favorito

3 comentários:
De Luís V a 11 de Março de 2008 às 10:17
O nome correcto da personagem principal no original é: Alex de Large. Fonte: IMDb (http://www.imdb.com/character/ch0002857/).

Adoro este filme. É um dos meus filmes preferidos.


De rifa a 12 de Março de 2008 às 00:36
tens razão, luis v, eu não me tinha apercebido disso.
seja como for, acredito que ele joga com as palavras ao dizer o nome no interrogatório.


De Mr Fights a 12 de Março de 2008 às 20:12
vi este filme pela primeira vez num ecrã gigante no estádio do Inatel há uns 2 anos e meio.

Desde essa altura que fiquei fã. Para a data da realização é um obra notável nomeadamente em termos estéticos. E a história também dá que pensar :)


Comentar post

mais sobre mim
links
Junho 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

29
30


posts recentes

Génova

Escrito num WC público

Jacqueline Du Pré Encanto...

Polícia emancipada/o

MpI - Eu sou o 63º subscr...

Bossa, Elis, 1965, Ecolog...

O Enterro de Sidney Beche...

As palavras são como as.....

Foi Jazz - Sidney Bechet

É Jazz - Joel Xavier "Sar...

arquivos

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

tags

acesso ao casamento

bem disposto

clássicos

coisas de contar

conta como podia ser

contra-buplicidade

dança

desafio

desliguem os telemóveis.

direitos assertivos

direitos humanos

é o drama

flores

hobbies

igualdade

jazz

jazz foi

jazz fresquinho

mundo engraçado

mundo feio

o virar da página

objectivamente (fotografia)

olha pra mim

pessoas

poesia

ponto de escuta

prosa

quem sabe...

sweet sadness

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds