Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Theres a look on your face I would like to knock out
See the sin in your grin and the shape of your mouth
All I want is to see you in terrible pain
Though we wont ever meet I remember your name
Cant believe you were once just like anyone else
Then you grew and became like the devil himself
Pray to god I can think of a nice thing to say
But I dont think I can so fuck you anyway
You are scum, you are scum and I hope that you know
That the cracks in your smile are beginning to show
Now the world needs to see that its time you should go
Theres no light in your eyes and your brain is too slow

Bet you sleep like a child with your thumb in your mouth
I could creep up beside put a gun in your mouth
Makes me sick when I hear all the shit that you say
So much crap coming out it must take you all day
Theres a space kept in hell with your name on the seat
With a spike in the chair just to make it complete
When you look at yourself do you see what I see
If you do why the fuck are you looking at me

Theres a time for us all and I think yours has been
Can you please hurry up cos I find you obscene
We cant wait for the day that youre never around
When that face isnt here and you rot underground



publicado por garçon às 12:21 | link do post | comentar | favorito

Às vezes desconfio que tenho um i na testa ou uma cruz qualquer de caridade porque parece que toda a gente vem ter comigo para perguntar ou pedir coisas. Então ultimamente tem sido quase todos os dias. Eu gosto imenso de ajudar as pessoas. Mas receio ser visto como aquele que se dispõe a tudo porque é sensível. Algumas pessoas que me conhecem estão sempre a dizer que eu sou sensível. Não digam isso que ainda se cola a mim para sempre e eu não quero. Não quero ser sensível. Não quero ser sensível à velha que me pediu para atravessar dois metros de estrada no Bairro Alto. Não quero ser sensível à velha que me conta a história da madrinha que era mãe de um famoso qualquer. Não quero ser sensível ao ver um carrinho de bébé com dificuldades na descida de um autocarro. Não quero ser sensível quando me perguntam para que lado fica o Campo Pequeno quando estamos na Av. da República. Não quero ser sensível quando vejo coisas banais passarem-se na maior das belezas. Não quero ser sensível quando as pessoas me ligam por ser sensível. Quero passar despercebido. Quero ser invisível e não perceber nada do que se passa à minha volta. Só quero passar o tempo sem ligar a ninguém. Não quero pensar no que me acontece. Não quero saber do que quero. Não quero querer, quero apenas aproveitar. Não quero idealizar, quero apenas ver o concreto. Não quero esperar, quero apenas receber. Mas o quê? As palavras sensíveis de quem não me vê como eu vejo? O silêncio dos conhecidos que eu preferia não ter conhecido? Mas porque é que eu me ralo com coisas parvas? Com idiotices de primeira? Porque sou fraco. Ser sensível é ser fraco. Eu sou sensível e sou fraco e às vezes só me apetece mandar tudo pó caralho porque ser fraco cansa a alma quanto mais disfarça que não é pequena. É pequena e nela cabia apenas pouca coisa, meia pessoa, um pedaço de terra com umas árvores de fruto e um ribeiro com seixos. Mas para se fazer maior, deixa entrar dúzias de gente e continentes inteiros e depois não admira que se sinta cheia e com problemas que só com muros de hostilidade se resolvem. Se pudesse, fechava as portas e não deixava entrar mais nada. Acabou. Não aguento mais tanta confusão apertada dentro de mim, que caos que eu sinto e que esta perturbação espiritual me faça vomitar tudo. Doutor, faça-me uma lavagem à alma e depois dê-me um copo de vazio. Desta vez, não quero Absinto. Só com duas pedras de gelo. Chega para ficar frio como eu quero.


publicado por garçon às 00:17 | link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
No sábado passado fiz uma coisa que já não fazia há muito tempo, pelo menos dois anos. Comprei um maço de tabaco. De há uns dias para cá recomecei a fumar à noite socialmente. Quer dizer em jantares e nos copos pela madrugada adentro quando acompanhado por pessoas que fumavam a quem cravei os cigarros que fumei e o lume que mos acendeu. Por isso, alguém na mesa disse que eu fumava SG Crava depois de eu ter dito com toda a lata do mundo, de cigarro na mão, que não fumava.
Todavia, mais do que o acto social, o mais importante de fumar para mim, desde que meti pela primeira vez um cigarro na boca, foi o acto solitário. Aliás, logo da primeira vez fiz tudo sozinho. Saí de casa, fui até à marginal bem longe da casa dos meus pais, comprei um maço de tabaco SG Filtro numa máquina automática sem saber o que estava a comprar influenciado lembro-me lá eu pelo quê! Tinha 18 anos e sentia-me profundamente só. Via e continuo a ver hoje num cigarro uma companhia. De todos os cigarros que fumei na vida, os que mais apreciei foram sem dúvida os que fumei solitário, enquanto pensava na minha vida e olhava para o fumo sem esperar respostas e era isso que me confortava, era ter a certeza que o cigarro não me podia ajudar mas ter a certeza que estava lá quando eu quisesse e não se ia embora sem eu querer e se fosse voltava logo a seguir desde que me apetecesse e ele não voltava por me obedecer, ele simplesmente aparecia e não dizia nada, apenas me ouvia pensar e pronto. Não sei porquê, sempre vi algo de poético e de mais do que irreverente no acto de fumar.
No sábado passado, estava sozinho e solitário. Não tem nada a ver com afastamento de amigos. Pelo contrário, eles estão bem presentes. É um sentimento interior, que faz parte dos meus genes. De certeza que há um gene da solidão. Se os cientistas ainda não o descobriram, é porque ainda não se deram ao trabalho. Talvez um cientista solitário se lembre disso um dia quando estiver a fumar um cigarro sozinho ao luar a pensar nas suas experiências. De vez em quando este sentimento de abandono do mundo, de desadequação face à realidade assoma em mim e faz-me reflectir sobre todas as coisas que me influenciam, o rumo que estou a tomar e o grau de satisfação (ou não) que estou a obter com esse caminho.
Quando saí do meu trabalho, às dez horas da noite, fui directamente para o Agito, no Bairro Alto, um bar que é a minha cara e podia bem ser a minha segunda casa. É um sítio giro, cool, com muito boa onda, muito boa música e muito boa disposição onde, apesar de estar sozinho, me sinto menos só. Há uma ambiência descontraída, sem intenções de engate, sem avaliações flagrantes dos pés à cabeça para ver como estás vestido, sem grandes enchentes de pessoas pouco cuidadosas a passar de um lado para o outro da rua como acontece no 41. Para ser franco, nunca gostei muito de estar ali na rua apertado com todo o tipo de gente à volta, sempre a dar empurrões e a fazer uma feira enquanto sobem e descem a rua a falar aos gritos obrigando os locais a elevar o tom de voz numa espiral de ruído. Depois há também a parte da bicharada que ao mesmo tempo se expõe e afia as garras, pois, tanto pode ser caça como caçador. Além de ser por ser calmo, gosto do Agito porque tem um arco-íris colado atrás do balcão, o que significa que toda a gente é bem-vinda e o autocolante nem precisava de lá estar porque ninguém lhe liga mesmo nem está interessado na orientação sexual de quem quer que seja. É um sítio muito fixe, porreiro mesmo, sem stress e ainda tem sempre o jornal Público disponível para quem quiser ler.
Adoro o Agito e foi lá que perguntei a uma das miúdas que servem (acho-as muito bonitas e não são modelos de moda, para mim são modelos de autenticidade) onde é que podia comprar tabaco mais perto. Fui logo ao lado, ao B do Bairro, comprar SG Ventil, a minha marca favorita, digam o que disserem. Voltei ao Agito para pedir mais uma imperial e, desta vez, num copo de plástico para ir para a rua estrear o meu primeiro maço desde há mais de dois anos atrás. Ainda cravei lume mas que ninguém diga agora que eu fumo SG Crava. SG Ventil, se faz favor! Não é irónico que eu tenha dado este passo pouco depois de ter entrado uma lei em vigor que restringe o acto de fumar? Quando toda a gente que conheci a fumar, com quem fumei tantas vezes e que ainda fumam está a reduzir e a tentar deixar o tabaco? Uma amiga minha que era a maior viciada que eu conhecia à face da terra anunciou-me há coisa de uma semana que não fumava há mais de dois meses. Lembro-me perfeitamente do stress que ela tinha quando lhe faltava tabaco e da quantidade de cigarros que fumava em pouco tempo - e eram Marlboro 100%. Ela conseguiu! Bem, com pastilhas e pensos e sei lá mais o quê, ela tentou tudo (eu desconfio que a vontade ainda foi o que mais ajudou porque tenho um palpite que há aqui intenção de aumentar a família :)
Por outro lado, e é curioso, fiquei espantado quando soube, nesse mesmo sábado, que um amigo meu voltou a fumar. Eu nem sequer sabia que ele tinha fumado antes!
Moral da história: Não tem moral. Acho que devia sentir-me mal por ter feito o que fiz mas não sinto. Pelo contrário, estou muito bem disposto e descontraído em relação ao assunto e nem penso nisso. Nem vontade tenho de fumar. Nunca fui um fumador convicto. Como já disse, o cigarro é o meu companheiro das horas mortas, o meu confidente, o meu escape, o meu reencontro e mais nada. Aquece-me a alma quando ela está fria. Assim como a música que gosto de ouvir. A seguir estão três canções que me põem em cima e é possível que um dia as oiça no Agito. São de um grupo que deixou muitas saudades: James.



On a flat roof, there's a boy leaning against the wall of rain
Aerial held high, calling "come on thunder, come on thunder"


publicado por garçon às 21:39 | link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito

Sábado, 26 de Janeiro de 2008


When I'm coming down there are buzzes in my ears
I can feel them floating around
All the walls are shaking
'Cause they were never real
Sweet to see things falling apart
Help me I'm merging into all
I used to dream I was this small
And my new eyes opening up to black and gold
Everything is turning out the same
Same same same same same same same same...


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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
Ontem fui ver O Homem da Câmara de Filmar, um filme do russo Dziga Vertov que remonta ao longínquo ano de 1929. Este filme, apesar de mudo e a preto e branco, é muito interessante e moderno do ponto de vista formal e não só. Vertov e a sua equipa fizeram um manifesto contra o cinema ficção (contaminado por áreas alheias como a literatura, a música ou o teatro) para se dedicarem à exploração do cinema por si só, das suas especificidades formais e técnicas e nada mais. Foi um movimento de ruptura como os que apareceram na pintura e na literatura dos primeiros anos do século XX.
De facto, O Homem da Câmara de Filmar é "apenas" uma sucessão de imagens da vida de uma cidade, de um homem com uma câmara de filmar e de uma profissional da montagem. Mas é também o revelar do dispositivo de enunciação do discurso, ou seja, o cinema dentro do cinema, o espectador a ver-se a si próprio representado e a identificar as imagens do filme como tal. Assim, a técnica é exposta e revela a essência da sétima arte que é o movimento e a pós-produção. Sem encenação nem música nem enredo, tudo o resto é o mesmo que pode ver o olho humano, tão bem como a objectiva da câmara, e Vertov diz-nos isso ao sobrepôr a imagem de um olho na imagem da objectiva e ao mimar com a câmara o funcionamento de um olho. Não há lugar para a emoção senão aquela que é provocada pela técnica - que imprime um ritmo eficaz que desperta o mais cansado dos espectadores - ou, no limite, a que a realidade visual pode proporcionar dentro de cada um de nós, tal qual numa tela.
Além disso, o Homem da Câmara de Filmar é um compêndio da linguagem cinematográfica, com toda uma série de truques e técnicas próprios desde o fade até à sobreposição de imagens no mesmo plano passando pelo ralenti, pela inversão e pela tomada de pontos de vista originais, entre outros. São espectaculares os planos com os comboios, com os eléctricos, com as máquinas acompanhadas no movimento pelo "olho" do espectador - bem como com a água que desliza na represa. Também são muito interessantes as sequências de desportistas, de homens que abrem as pernas para passar por cima do homem da câmara de filmar que está deitado no chão (vêmo-lo depois), de corridas ao lado de carros e outros meios de transporte (lá está o homem da... em cima doutro carro), de dentro desses mesmos meios como do eléctrico que assusta as pessoas à frente e do elevador que deixa o homem da... em baixo.
Ocorreu-me pensar durante a sessão que, se Wim Wenders tivesse aplicado este ritmo ao seu filme cujo protagonista é um homem com uma câmara de filmar na cidade (semelhante ao de Vertov), Lisbon Story teria sido bem mais cativante.
Realço ainda a "coreografia" do tripé e da câmara, animados sem nada ou ninguém por perto a comandar - tal como o cinema-olho de Vertov e companhia não se deixa levar pelas outras artes. E, para acabar, gostei muito do plano em que o homem da... surge dentro de uma caneca à medida que esta se enche de cerveja. Naquela época, Vertov estava para o cinema como os futuristas estavam para a literatura ou os iconoclastas para a pintura.

O video que apresento a seguir é totalmente constituído por trechos de O Homem da Câmara de Filmar. No entanto, noto que há ligeiras alterações formais, ao nível dos tempos e da colagem, creio que com o intuito de combinar melhor com a música. Esta é do projecto The Cinematic Orchestra, que se inspirou no filme de Vertov para a compôr e deu-lhe o mesmo título: The Man with the Movie Camera.



publicado por garçon às 00:41 | link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito

Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008


A posta no futuro: O Homem da Câmara de Filmar, Desliguem os telemóveis./Ponto de Escuta


publicado por garçon às 00:19 | link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008
Did I ever think of you
As my enemy

Did you ever think of me
I'm complaining



I never tried to feel
I never tried to feel this vibration
I never tried to reach
I never tried to reach your eden


publicado por garçon às 22:55 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Sábado, 19 de Janeiro de 2008
Hoje fui ver o filme Expiação, de Joe Wright, e fiquei de rastos. Custou-me sair da sala. Não se consegue desviar o olhar de uma tela que esteve tão bonita durante mais de duas horas nem sequer pensar em afastar os ouvidos de uma música que, ao ambientar os créditos do fim, os torna belos sem mais nada de especial. Não se consegue desligar-se desta história de um momento para o outro como se as lágrimas derramadas fossem tão carregadas que impedissem de levantar o corpo do assento até serem limpas das maçãs do rosto, de entre os lábios, do queixo e da consciência.
O filme Expiação é uma obra-prima sublime, baseada no romance homónimo de Ian McEwan, e devo acrescentar que esta realização é do melhor que tenho visto nos últimos anos. Deixou-me completamente extasiado, emocionalmente descontrolado e com tanto para dizer que nem sei por onde começar nem se é possível chegar a dizer tudo.

Em concreto, vê-se que Joe Wright domina muito bem a linguagem cinematográfica. Repare-se no enorme plano-sequência (cena composta por vários "planos" em sequência mas sem cortes nem montagem, ou seja, num só plano efectivamente) que acompanha Robbie (James McAvoy), o inocente condenado, e os seus dois camaradas de guerra durante todo o percurso que fazem na praia da evacuação militar, desde o diálogo com o oficial até ao plano geral do areal visto a partir de cima antes de entrarem no bar. É de se tirar o chapéu e tira o fôlego!
É, sem dúvida, um dos melhores e mais longos planos-sequência de todos os tempos, contando cinco minutos e muitas dezenas de metros, curvas e contracurvas, avanços e retrocessos no foco do protagonista (este fica fora de campo e regressa depois do foco ter "ancorado" noutros motivos), travellings rectos e circulares, de frente e de lado, planos suspensos e contrapicados, sem contar com os inúmeros pormenores de fundo que completam o cenário, um panorama de grandeza e profundidade surpreendentes que é de uma inverosimilhança propositada (com um veleiro sobre a areia, uma roda gigante, um coreto e outros refúgios surreais em que os soldados "escapam" ao desespero), enquanto a câmara passeia, parece que com uma tremenda facilidade. Brilhante e arrepiante!
Além de tecnicamente irrepreensível, este plano é perfeito na transposição da loucura presente no espaço físico para Robbie, no interior do qual se adivinha uma guerra maior, mais delirante e insuportável. Assim, o espaço psicológico ganha um destaque tão forte como o que se vê. Pode conferir-se:



Além disso, todos os pequenos planos, todos os ângulos, todos os campos e tudo o que está fora de campo - denunciado por reflexos, como o dos aviões no canal ou o da pequena Briony (Saoirse Ronan) no vidro antes de "escrever" a História que leva à separação de Robbie e Cecilia (Keira Knightley) - conferem à obra a subtileza e a sensibilidade que a narrativa pede.
Os grandes planos, os raccords visuais e sonoros (a banda sonora de uma cena no exterior da casa, por exemplo, a terminar num instrumento que é "ferido" no interior), a música de Dario Marianelli interpretada ao piano por Jean-Yves Thibaudet (à mistura com a música de uma máquina de escrever, a máquina como parte da orquestra), as analepses e as prolepses, os travellings e todos os movimentos de câmara graciosamente feitos, a luz que ilumina ou esconde, e tudo, mesmo tudo, em Expiação tem uma impressionante beleza manifesta em cada imagem e em cada som, em cada palavra e em cada gesto, em cada silêncio e em cada pose.

Para a magnificência deste resultado, também contribuiu o desempenho dos actores e actrizes que compõem o elenco, mas o meu aplauso vai antes de mais para a realização. Daí ter realçado ao longo desta crítica os aspectos mais ligados à parte técnica do filme.
Expiação ganhou os Globos de Ouro de 2007 nas categorias Melhor Filme Dramático e Melhor Música Original. Não ganhou o dito Globo mas teve igualmente nomeações nas categorias Melhor Realizador (Joe Wright), Melhor Argumento (Christopher Hampton), Melhor Actor em Drama (James McAvoy), Melhor Actriz em Drama (Keira Knightley) e Melhor Actriz Secundária (Saoirse Ronan). De certeza que muitas nomeações e entregas de prémios serão acrescentadas ao historial de Expiação com os Oscar. É, desde já, o meu favorito.


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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008
O meu peso não é suficiente para fazer acelerar as escadas rolantes da entrada sul da estação de metro de São Sebastião!
Eu bem estranhei que as escadas eram mais lentas que as outras. Só quando outra pessoa (gorda por sinal) pisou o cimo das escadas é que o turbo arrancou ah ah ah!


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Domingo, 13 de Janeiro de 2008

Os filmes de Woody Allen são como tragédias gregas, e ainda mais os dramáticos, com muita ironia cómica à mistura. Digo que são como as farsas clássicas porque encerram sempre dilemas morais com resolução impossível enquanto vive o ser humano que os cria e que, por conseguinte, terminam de forma fatal, muitas vezes com a morte e a loucura. O que acaba de estrear nas salas portuguesas, O Sonho de Cassandra, não é excepção no universo do realizador (agora) "londrino".
Com Colin Farrell num dos seus melhores papéis de sempre, pois que, na minha opinião, não tem merecido destaque pelos seus desempenhos anteriores, e Ewan McGregor num registo similar à maioria das suas personagens, O Sonho de Cassandra peca precisamente por ser um filme com os mesmos ingredientes de Match Point mas pior. Depois da grande surpresa que foi Match Point, era difícil fazer melhor, admitamos. Contudo, penso que não será de mais pedir algo diferente.
Este filme contém todos os tiques de realização de Allen, desde a forma de filmar, as cenas de perseguição, a ambição das personagens, a mulher como factor desencadeador da trama, a ficção teatral como parte significante da realidade e o confronto entre classes socio-profissionais diferentes até ao próprio tipo de letra dos créditos iniciais. Para quem está acostumado e mesmo assim gosta de ver variantes do mesmo autor, recomenda-se. Para aqueles que esperam inovação e surpresa, que devem ser muito poucos, fiquem em casa e esperem pela estreia televisiva.
Realço a profundidade simples dos diálogos e a expressividade dos actores, que nos filmes de Allen sempre reflectem muito bem os conflitos internos do ser humano e relembram que este é fundamentalmente um ser (i)moral. Farrell é o que mais transmite verbalmente o seu drama, todavia, McGregor é o protagonista da pequena e rápida reviravolta final em matéria de consciência. Aquele que primeiro cita: "A vida é porreira, não é?" bem percebeu que a vida é sobretudo irónica. Não é irónico que um plano falhe por causa de um irmão que concretiza as suas próprias premonições?
O Sonho de Cassandra é um filme razoável. É pena que não tenha a mesma tensão emocional nem um fim tão inesperado como o de Match Point.


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