Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008
Antes de mais, recuso-me a divulgar o título português adoptado para este filme de Mike Nichols. É um desaforo equipará-lo a milhares de outros títulos banais de filmes enlatados em nada relacionados com esta obra de mestre do cinema. Realmente, teria sido muito melhor traduzir à letra e ponto final.
A Guerra de Charlie Wilson é, do ponto de vista cinematográfico, um filme em tudo excelente, desde os desempenhos impecáveis dos actores (três oscarizados e vê-se porque é que mereceram a estatueta: Tom Hanks, Julia Roberts - muito bonita aqui - e Philip Seymour Hoffman) até à música envolvente e passando pelo ritmo, a fotografia, a narrativa, o humor e a intensidade emocional de algumas cenas. Quanto ao argumento em si, baseado num caso verídico, bem construído está. Porém, alguns com certeza dirão que se trata de uma visão puramente norte-americana dos acontecimentos. Se é certo que têm razão, também é certo que nada impede que assim seja e sendo um filme norte-americano não se deve esperar outra coisa, não é verdade?

O filme é o elogio da glória e bravura dos EUA face ao perigo do comunismo que, nos anos 80, ameaçou conquistar o mundo destruindo até os EUA (parece-me que houve um bocado de alarmismo). A União Soviética lutava para invadir o Afeganistão e houve um congressista do Texas, chamado Charlie Wilson, que com Joanne Herring, uma amiga simplesmente rica e empenhada na causa afegã, moveu todos os cordelinhos possíveis para dar a vitória ao Afeganistão e derrubar o império soviético (com a queda do muro de Berlim). Assiste-se a uma sucessão contínua de esquemas de influências ilícitas nos poderes políticos, mas isso aqui parece não manchar por aí além o bom nome da democracia americana visto que foi em defesa da própria democracia no mundo. Só mesmo no fim, em dois rápidos minutos, se aponta o dedo ao abandono do Afeganistão à sua sorte depois de vencidos os inimigos. Afinal de contas, os afegãos foram peões nas mãos dos americanos servindo os interesses destes. Mas até esta revelação é feita de modo muito fraco e o que fica do filme é a capacidade dos EUA de travar as guerras que quiser.
Fora as questões da História, o filme vale por si e é sem dúvida um excelente trabalho de realização. Para mim, é já um dos melhores filmes que estrearam em 2008.


publicado por garçon às 01:34 | link do post | comentar | favorito

3 comentários:
De ZEP a 7 de Janeiro de 2008 às 09:19
ando tão atrasado no cinema que dói!!

:-(


De rifa a 7 de Janeiro de 2008 às 16:45
zep: aiaiai!
vai ja ao cinema!

;-)


De Mr Fights a 7 de Janeiro de 2008 às 21:51
o filme é uma bela forma de dar contornos cómicos a uma história bem séria :)

amanhã tb lhe dedico um post no meu blog

beijo


Comentar post

mais sobre mim
links
Junho 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

29
30


posts recentes

Génova

Escrito num WC público

Jacqueline Du Pré Encanto...

Polícia emancipada/o

MpI - Eu sou o 63º subscr...

Bossa, Elis, 1965, Ecolog...

O Enterro de Sidney Beche...

As palavras são como as.....

Foi Jazz - Sidney Bechet

É Jazz - Joel Xavier "Sar...

arquivos

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

tags

acesso ao casamento

bem disposto

clássicos

coisas de contar

conta como podia ser

contra-buplicidade

dança

desafio

desliguem os telemóveis.

direitos assertivos

direitos humanos

é o drama

flores

hobbies

igualdade

jazz

jazz foi

jazz fresquinho

mundo engraçado

mundo feio

o virar da página

objectivamente (fotografia)

olha pra mim

pessoas

poesia

ponto de escuta

prosa

quem sabe...

sweet sadness

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds