Terça-feira, 18 de Março de 2008

Não vou falar muito deste filme dos irmãos Ethan e Joel Coen por dois motivos. Primeiro, parece que tenho cada vez menos tempo disponível... Não sei o que faço ao tempo mas que ele passa, passa. A juntar a isso, tenho trabalhado imenso na loja e chegado a casa a rastejar. Em segundo, não gostei do filme; por isso, não me dá tanta vontade de discorrer sobre ele como se tivesse gostado.
Vou apenas salientar, de positivo, alguns bons momentos de suspense - quase sempre criados por trás de uma porta fechada, repararam?, cada uma com o seu número - e as interpretações de Tommy Lee Jones (no xerife prestes a reformar-se já desencantado com o mundo e a profissão) e de Josh Brolin (Llewelyn Moss, um homem a quem sai a "sorte grande" mas ao contrário). Está também muito bem do ponto de vista visual apresentando planos muito bonitos com uma qualidade de imagem impecável. Aliás, o filme vive muito mais do que se vê (e não se vê) do que daquilo que se ouve. São as sombras, as (in)expressões, as luzes dos faróis, os cadáveres que dizem algo.
Há certas falas bem metidas, por exemplo: "Are you going to shoot me?", pergunta o homenzinho apanhado desprevenido na carnificina. "That depends. Do you see me?", responde o assassino Anton Chigurh (Javier Bardem). Este é o diálogo que prefiro porque vai ao encontro de uma descrição feita mais atrás em que se diz que ninguém que veja o assassino sobrevive.
Com este elogio até parece que estou a apoiar a decisão da Academia de Hollywood mas desenganem-se. Para mim, poderia ser um bom filme se puxasse mais pelo sensacionalismo, por que não? Que ao menos fosse mais emocionante. Acabou por ser chato, com partes inexplicáveis e discursos abstractos, demasiado lento - quase parado às vezes - e vazio. Nem acho o desempenho de Bardem nada de extraordinário.
E o final? Que acontece ao dinheiro da mala? Parece-me que as únicas pessoas que ganham são os jovens que têm a sorte de se cruzar com o bom e o mau da fita quando estes se encontram em situações de desespero. Tanto um como o outro compram a salvação a miúdos que começam a habituar-se assim a uma cultura em que tudo tem um preço.
Nada disto me desiludiu contudo. Era algo de que já estava à espera. Este País Não É para Velhos tem bem gravada a marca dos Coen e eu nunca percebi o seu tão apreciado humor negro. Não acho piada. Já com Fargo aconteceu o mesmo.


publicado por garçon às 23:01 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De Anónimo a 29 de Julho de 2008 às 09:55
Amigo...
como te disse vi finalmente o NO Country for Old Men.
Bom filme. Indiscutivelmente.
Realce para a fotografia, bem realizado, grandes interpretações.
Tommy Lee Jones sempre excelente, Josh Brolin foi uma surpresa e o Javier Bardem está soberbo.
Um bom argumento.
Agora a questão: Melhor Filme do Ano? Para mim não. Bom filme sem dúvida mas não é uma obra-prima.
Vi Haverá Sangue e...marcou-me mais.
Quanto ao Oscar para o Bardem...não é que ele não o tenha merecido, mas eu talvez tivesse atribuído antes o galardão ao Casey Affleck pelo seu DESEMPNEHO NOTÁVEL no filme O ASSASSÍNIO DE JESSE JAMES. Impressionou-me mais.

Beijinhos gandes,
Ana Paula (a amiga cinéfila;))

PS -vai ver o Batman e depois diz-me o que achares. Desiludiu-me. Nada de especial Destaque mesmo para o Heath Ledger com o seu impressionante JOKER!


Comentar post

mais sobre mim
links
Junho 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

29
30


posts recentes

Génova

Escrito num WC público

Jacqueline Du Pré Encanto...

Polícia emancipada/o

MpI - Eu sou o 63º subscr...

Bossa, Elis, 1965, Ecolog...

O Enterro de Sidney Beche...

As palavras são como as.....

Foi Jazz - Sidney Bechet

É Jazz - Joel Xavier "Sar...

arquivos

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

tags

acesso ao casamento

bem disposto

clássicos

coisas de contar

conta como podia ser

contra-buplicidade

dança

desafio

desliguem os telemóveis.

direitos assertivos

direitos humanos

é o drama

flores

hobbies

igualdade

jazz

jazz foi

jazz fresquinho

mundo engraçado

mundo feio

o virar da página

objectivamente (fotografia)

olha pra mim

pessoas

poesia

ponto de escuta

prosa

quem sabe...

sweet sadness

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds