Sábado, 2 de Agosto de 2008
Quanto mais filmes musicais vejo, mais gosto do género. Nos últimos dois ou três anos, têm surgido apostas casuais nesta área que muito me agradaram tais como Les Chansons d'Amour, Across the Universe ou Sweeney Todd, entre outros. Não obstante, o que eu creio que mais me tem levado para esse lado não é o desfile contemporâneo de canções que fazem uma boa banda sonora original para ter em casa. É antes o espectáculo clássico de coreografias que enchem a tela do cinema e não podem ser vistas em casa porque ultrapassam em larga medida os limites do plasma. Foi o caso de Gentlemen Prefer Blondes, que vi em Março, e de Madam Satan, acabado de ver - na Cinemateca, claro.
Realizado por Cecil B. DeMille em 1930, Madam Satan é visto como um filme menor na sua carreira desde que o som entrou na sétima arte (DeMille começou no cinema mudo com grande sucesso). No entanto, para mim, é grande. Se na primeira metade faz lembrar uma comédia portuguesa da idade de ouro do cinema em Portugal - simples, apoiado em situações cómicas e pouco realistas entre uma mulher, o marido, a amante e o amigo - transforma-se num palco soberbo quando começa o baile de máscaras no dirigível. Sim, num dirigível! DeMille interrompe a narrativa para introduzir a festa (da música, da dança, do riso e do amor) com uma coreografia completa de centenas de pessoas que é absolutamente estrondosa, digna da Broadway. Destaque para as roupas e os acessórios robóticos, pensados para o bonito efeito visual em picado, bem como os figurinos extravagantes dos mascarados. O próprio guarda-roupa tem um papel no desenrolar desta história, o que demonstra que o realizador não deixa nada ao acaso. A partir daí é que Madam Satan se revela, literalmente e não só, com ritmo, desenvoltura, ironia, tragédia e muita piada, sobretudo um sentido de humor fresco e descomprometido - como são hilariantes as cenas de salve-se quem puder.
É pena não ter encontrado a dita dança, todavia, aqui fica um belo e modesto registo coreográfico da primeira parte, interpretado por Lillian Roth - a amante - e os seus companheiros de arte.



publicado por garçon às 13:44 | link do post | comentar | favorito

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