Terça-feira, 20 de Novembro de 2007
O filme Control, de Anton Corbijn, que se debruça sobre a vida íntima de Ian Curtis (vocalista dos Joy Division) através da biografia escrita pela mulher, Deborah Curtis, é um excelente exemplo de empatia no cinema.
Poucos filmes nos fazem sentir tão nitidamente o que as personagens sentem por dentro e não aquilo que exteriorizam, principalmente quando se trata de sentimentos negativos. Mas como saber o que lhes vai na alma? Pois é! Não se pode saber e é assim que da incompreensão nasce uma angústia que não pára de aumentar do princípio ao fim do filme, igual à angústia vivida no grande écrã.
Quanto mais Ian (Sam Riley) se afunda na espiral dos seus conflitos interiores mais eu me senti angustiado e acompanhei o drama dele como se de um familiar se tratasse e que eu quisesse ajudar e não soubesse como. Infelizmente, é o que se passa com todas as doenças do foro psicológico. Quem as tem sofre, mas quem as vive de perto também sofre muito.
Por outro lado, a intensidade, a caracterização e o desempenho de Sam Riley são impecáveis durante o filme todo. O olhar cheio de expressões enigmáticas sublinhadas a bold por umas olheiras permanentes, a linguagem que mais fala através de silêncios que ninguém ouve (se no dia-a-dia decifrássemos os silêncios muita coisa se podia evitar), os gestos comedidos, nervosos, arrependidos mesmo antes de o serem e os ataques de epilepsia (de um realismo impressionante), entre outros apontamentos (como as actuações musicais ao vivo), colocam Sam Riley na corrida ao Oscar de melhor actor principal.
Voltando à empatia que este biopic cria, aconteceu algo muito engraçado. A meio do filme, quando o silêncio já ecoava por todo o lado, eu disse a mim mesmo "Ele é tão deprimente" e mal acabo de pensar isto, Annik - a amante de Ian - diz "Ian, és tão deprimente"...
O visionamento deste filme não é aconselhável a pessoas que sofram da alma. Eu já sabia do fim trágico de Ian Curtis, mas desconhecia que a vida dele tivesse sido tão perturbada e perturbadora. Depois disto, será difícil ouvir Love Will Tear Us Apart da mesma maneira...

Também não entendo o que é que as mulheres vêem em tipos assim...



publicado por garçon às 01:54 | link do post | comentar | favorito

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