Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007

Parece que os musicais estão outra vez na moda e ainda bem. Para mim, que gosto tanto de cinema como de música, não pode haver melhor conjugação. E se se juntar a isso o amor, então... ai ai...
Depois de Les Chansons d'Amour, chegou a vez de Across The Universe, um filme de Julie Taymor. Mas enquanto que o primeiro é um filme escuro, denso e tendencialmente fatalista em torno da condição humana, o que é uma marca do cinema francês mais "académico", o musical em língua inglesa celebra a cor, o movimento, a festa, o psicadelismo e a liberdade (qual fado, qual quê!). Ao bom estilo americano, o melodrama está lá com o romance que ultrapassa tudo entre Jude (Jim Sturgess) e Lucy (Evan Rachel Wood) - ambos lindos de morrer! Mas aqui o espectáculo visual é que interessa. Há uma sobreposição de imagens gráficas e animadas nas cenas vividas pelas personagens (também superdinâmicas), eu diria que em mais de metade do filme. Isto com música sempre a bombar, os actores a cantar e a participação mais ou menos discreta de artistas mais famosos que os protagonistas como Bono, Salma Hayek ou Joe Cocker (este figura poucos segundos como mendigo e quase não nos damos conta de que é ele).

A história passa-se nos EUA dos anos 60, durante a guerra no Vietname e toda a contestação gerada em volta. O engraçado é que no meio das trapalhadas americanas, surge um simples rapaz operário vindo de Liverpool que acaba por servir de elo entre uma série de outras pessoas, com lógica ou sem ela (como é o caso da frágil Prudence ou do fiel guitarrista cujas origens se desconhece). Todos os aspectos sérios e divertidos da época são retratados nesta jovial vertigem de fantasia e sonho, incluindo as fraquezas que sempre vêm ao cimo e arriscam a acabar com os ideais e as referências. Porém, no fim o amor vence e é esse o maior poder que existe no universo.

A força da imagem é uma constante e eu gostei particularmente da cena (tendo Strawberry Fields como banda sonora) em que a narrativa passa alternadamente pelo quarto em que Jude descarrega a sua raiva "pintando" um quadro com morangos maduros, pelo Vietname onde o seu melhor amigo, Max (irmão de Lucy), assiste a violências traumatizantes e pelos confrontos na rua entre a polícia e manifestantes pacifistas entre os quais Lucy defende uma causa pelos entes mais queridos (Max e o antigo namorado, que morreu na mesma guerra).

Ao som dos Beatles, com Jude a ser reanimado ouvindo Hey Jude, com um tumulto na rua onde um menino canta Let It Be ou com os flatmates de Prudence a cantarem Dear Prudence tentando que ela saia do quarto onde se fechou, Across The Universe é quase um teledisco, tal é o impacto audiovisual das cenas e das coreografias executadas nos ambientes quotidianos transformados em palco. Como eu não gosto muito de Beatles, apesar de reconhecer a sua força emotiva, deu-me mais prazer ouvir a faixa dedicada a Prudence, vindo-me imediatamente à memória a mesma canção mas na interpretação única de Siouxsie and The Banshees. Ora vejam e ouçam:


publicado por garçon às 23:36 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De Mr Fights a 18 de Novembro de 2007 às 13:49
O que mais me agradou neste filme foi a realização assumir sem medos as fantasias conceptuais como ilustração da acção.

Achei deliciosa a cena dos morangos.


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