Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Vergonha. Como exprimir a vergonha através do teclado de um piano? Pensou o rapaz. Como é que se pode tocar a vergonha? Não sentirá o tocador vergonha ao tocar? Não esconderão a cara os ouvintes ao ouvir o que toca? Não desafinará a tecla tocada com vergonha... Que lhe toquem assim?

E onde é que está a vergonha? A vergonha esconde-se debaixo da cama. O cão iria ao seu encontro, farejando, se não estivesse morto à beira da estrada a ver os engarrafamentos matinais. Uma pata no ar em sinal de protesto. A caravana continua a passar e nada.

A vergonha não é maior que a estupidez. Às vezes, ela própria se perde e grita "Estúpido!" A criança procura um esconderijo mas nenhum chega para esquecer. Mais tarde, muito mais tarde, encontra o refúgio perfeito atrás de uma melodia que lhe tapa a cara. Obrigado, pianista! Logo, encontramo-nos debaixo da cama?

Espero que sim e todos os que aqui estão. Menos o cão, cuja pata no ar se decompôs, resignado, e assim, triste, emagreceu, emagreceu e emagreceu até não restar mais nada senão uma mancha, um sinal não de protesto mas sim de perigo, a indicar ao trânsito a perda de dignidade.


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publicado por garçon às 21:55 | link do post | comentar | favorito

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