Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
Às vezes desconfio que tenho um i na testa ou uma cruz qualquer de caridade porque parece que toda a gente vem ter comigo para perguntar ou pedir coisas. Então ultimamente tem sido quase todos os dias. Eu gosto imenso de ajudar as pessoas. Mas receio ser visto como aquele que se dispõe a tudo porque é sensível. Algumas pessoas que me conhecem estão sempre a dizer que eu sou sensível. Não digam isso que ainda se cola a mim para sempre e eu não quero. Não quero ser sensível. Não quero ser sensível à velha que me pediu para atravessar dois metros de estrada no Bairro Alto. Não quero ser sensível à velha que me conta a história da madrinha que era mãe de um famoso qualquer. Não quero ser sensível ao ver um carrinho de bébé com dificuldades na descida de um autocarro. Não quero ser sensível quando me perguntam para que lado fica o Campo Pequeno quando estamos na Av. da República. Não quero ser sensível quando vejo coisas banais passarem-se na maior das belezas. Não quero ser sensível quando as pessoas me ligam por ser sensível. Quero passar despercebido. Quero ser invisível e não perceber nada do que se passa à minha volta. Só quero passar o tempo sem ligar a ninguém. Não quero pensar no que me acontece. Não quero saber do que quero. Não quero querer, quero apenas aproveitar. Não quero idealizar, quero apenas ver o concreto. Não quero esperar, quero apenas receber. Mas o quê? As palavras sensíveis de quem não me vê como eu vejo? O silêncio dos conhecidos que eu preferia não ter conhecido? Mas porque é que eu me ralo com coisas parvas? Com idiotices de primeira? Porque sou fraco. Ser sensível é ser fraco. Eu sou sensível e sou fraco e às vezes só me apetece mandar tudo pó caralho porque ser fraco cansa a alma quanto mais disfarça que não é pequena. É pequena e nela cabia apenas pouca coisa, meia pessoa, um pedaço de terra com umas árvores de fruto e um ribeiro com seixos. Mas para se fazer maior, deixa entrar dúzias de gente e continentes inteiros e depois não admira que se sinta cheia e com problemas que só com muros de hostilidade se resolvem. Se pudesse, fechava as portas e não deixava entrar mais nada. Acabou. Não aguento mais tanta confusão apertada dentro de mim, que caos que eu sinto e que esta perturbação espiritual me faça vomitar tudo. Doutor, faça-me uma lavagem à alma e depois dê-me um copo de vazio. Desta vez, não quero Absinto. Só com duas pedras de gelo. Chega para ficar frio como eu quero.


publicado por garçon às 00:17 | link do post | comentar | favorito

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