Sábado, 30.05.09

Sidney Bechet (Nova Orleães 1897 - Garches 1959) foi desde muito novo um destacado instrumentista tendo aprendido a tocar quase todos os instrumentos de jazz, em especial, o clarinete.

A sua maneira de usar a vocação decorativa do clarinete lançou-o para as melhores bandas de Nova Orleães quando ainda era criança. Mas foi na Europa, onde andou em tourné na orquestra de Will Marion Cook, em 1919, que foi recebido com maior entusiasmo ao passo que nos EUA passava despercebido mesmo após o seu regresso e o seu lançamento discográfico.

Enquanto esteve no estrangeiro, encontrou aquele que passaria a ser o seu principal instrumento, o saxofone soprano.

Passados alguns períodos mais ou menos felizes ou conturbados da sua carreira, acabou por adoptar França como residência permanente (1949) e tornou-se aí uma celebridade e um herói nacional.

 

"Summertime" foi um grande sucesso gravado em 1938.

 

 


tags: ,

publicado por garçon às 22:54 | link do post | comentar | favorito

Domingo, 17.05.09

Bessie Smith (Chattanooga, Tennessee 1894 - Clarksdale, Mississippi 1937) será para sempre a denominada imperatriz do blues. Foi "descoberta" e apoiada pela cantora de blues Ma Rainey, que se tornou na sua mentora até Bessie sobressair mais do que a "professora". A Columbia contratou-a e lançou o seu primeiro disco, em 1923, com Clarence Williams no piano. Foi somando êxitos e ganhando fama e dinheiro até que a Depressão, a mudança de gostos do público e o álcool ditaram o fim da sua carreira discográfica nesta editora. Em 1937, quando estava prestes a fazer o seu comeback, então, como cantora de swing, Bessie Smith morreu esvaída em sangue no hospital para onde a trouxeram depois do acidente de viação que a vitimou. Em 1929, tinha entrado no filme St. Louis Blues, não havendo nenhum outro registo fílmico com ela. Em compensação, deixou-nos 160 discos, em que acompanhou alguns dos maiores solistas de jazz - entre outros, Louis Armstrong, Fletcher Henderson e James P. Johnson.

 

 

There's a saying going 'round and I begin to think it's true
It's awful hard to love someone, when they don't care 'bout you
Once I had a lovin' man, as good as many in this town
But now I'm sad and lonely, for he's gone and turned me down, now
I ain't got nobody and nobody cares for me
I got the blues, the weary blues
And I'm sad and lonely, won't somebody come and take a chance with me?
I'll sing sweet love songs honey, all the time
If you'll come and be my sweet baby mine
'Cause I ain't got nobody, and nobody cares for me



publicado por garçon às 21:04 | link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito

Terça-feira, 21.04.09

"Carolina Shout" pode considerar-se o manifesto estético de James Price Johnson (New Brunswick, New Jersey 1894 - Nova Iorque 1955), o jazzista de Nova Iorque que primeiro introduziu no ragtime a improvisação, transformando-o em jazz.

As suas primeiras obras-primas fizeram dele o líder da escola pianística de Harlem, o bairro de imigrantes de Nova Iorque que se tornou famoso pela sua actividade musical nocturna.

Foi também um dos maiores artistas de pianola, um piano que permite a execução automática de música através de um rolo de papel perfurado.

 

O video que se segue é a conhecida gravação de "Carolina Shout" (QRS Records, 1921) tocada pelo próprio compositor.

 

 


tags:

publicado por garçon às 20:28 | link do post | comentar | favorito

Sábado, 11.04.09

A par com Jelly Roll Morton, Nova Orleães produziu uma outra figura de seguro génio nos inícios do século XX: Joe "King" Oliver, mestre do jazz colectivo (Abend, Louisiana 1885 - Savannah, Georgia 1938). Tocou com várias bandas daquela cidade antes de se impor (1914) como o melhor cornetista.

Quando King Oliver se mudou para Chicago (1920), a sua fama era tanta que o levou a tocar em duas orquestras diferentes na mesma noite (das 21.30 às 00.30 e da 1 às 4 da manhã). Aí fundou a Creole Jazz Band, um grupo notável cujas gravações de 1923 assinalam, segundo os historiadores, a passagem do jazz da sua "pré-história" à história. Trata-se de peças que ainda impressionam mostrando o melhor da escola de Nova Orleães no campo da improvisação de conjunto.

Ironicamente, o segundo cornetista (o seu protegido Louis Armstrong) em breve mudaria o jazz para sempre com os seus solos improvisados. Em 1924, Armstrong e outros abandonaram a Creole Jazz Band, o que a desfez por completo.

Oliver pegou, então, numa outra formação já existente mudando-lhe o nome para The Dixie Syncopators. Com estes elementos realizou novas gravações (entre as quais a de "Snag It").

Contudo, o seu conservadorismo musical e a inaptidão para os negócios levaram-no a tomar decisões erradas quando foi para Nova Iorque (1927). Inclusive recusou uma proposta para tocar regularmente no famosíssimo Cotton Club.

Além disso, os problemas nos dentes (causados em parte pelas predilectas sandes de açúcar da sua infância) provocaram dores gradualmente maiores enquanto tocava a corneta. Assim, nos últimos registos gravados (1929-1931), a sua presença é residual embora sejam grandes exemplos de boa música dançável.

Os discos que ficaram estão quase sempre mal gravados. Percepciona-se aí apenas uma sombra da mestria de Oliver, capaz de arrancar à corneta, sobretudo com a surdina, uma vasta variedade de sons.

 

 

Posta mandada com base no livro Os Caminhos do Jazz, Guido Boffi, Edições 70 e nos sítios www.allmusic.com e www.youtube.com


tags:

publicado por garçon às 09:52 | link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 31.03.09

Foi um dos primeiros grandes compositores de jazz, um exemplar e refinado cultor da forma, e também um dos seus raríssimos teóricos. Jelly Roll Morton (Gulfport, Louisiana 1885 ou 1890 - Los Angeles 1941) atribuía a si próprio a invenção do jazz de tal forma exagerada que a sua obra bastava para o comprovar.

Pianista eminente, dotado de estilo conciso e decidido derivado do ragtime, teve óptimas qualidades de dirigente de orquestra e de compositor. Fez numerosas digressões pioneiras através dos Estados Unidos, contribuindo de modo determinante para a difusão das primeiras expressões do jazz.

Em 1926, fundou o seu melhor conjunto, os Red Hot Peppers, com os quais efectuou a maior parte das próprias gravações fonográficas. Quatro anos depois, reduzido quase à miséria, cessou toda a actividade.

 

É exactamente de 1926 este Black Bottom Stomp que se pode ouvir a seguir no original (disco de 78 rpm).

 

 

 

Posta mandada com base no livro Os Caminhos do Jazz, Guido Boffi, Edições 70 e nos sítios www.allmusic.com e www.youtube.com


tags:

publicado por garçon às 21:11 | link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 20.03.09

Charles "Buddy" Bolden (Nova Orleães, Louisiana 1877 – 1931) foi um cornetista afro-americano e é considerado como uma figura importante no desenvolvimento de um estilo de música em Nova Orleães que mais tarde se tornou conhecido como jazz. Também era chamado King Bolden e a sua banda esteve em alta desde cerca de 1900 até 1907, quando sofreu um episódio de psicose alcoólica aguda, aos 30 anos de idade. Depois do diagnóstico de esquizofrenia, foi internado num sanatório, onde passou o resto da sua vida. Que se saiba, não deixou nenhuma gravação, mas era conhecido pelo seu som muito alto e a constante improvisação.

Um dos números mais famosos de Bolden é uma canção chamada "Funky Butt" (mais tarde conhecida como "Buddy Bolden's Blues", nomeadamente pela recriação de Jelly Roll Morton) que representa uma das primeiras referências ao conceito de "funk" na música popular, agora um subgénero musical em si mesmo.

"Funky Butt" era, como disse uma vez Danny Barker, uma referência ao odor de um auditório cheio de pessoas transpiradas "dançando muito juntas e a roçar os corpos." Outros músicos da geração de Bolden explicaram que o famoso tema na verdade foi criado como uma alusão à flatulência.

 

I thought I heard Buddy Bolden say

Stinky butt funky butt, take it away

I thought I heard him say 

 

I thought I heard Buddy Bolden shout

Open up the window, let that bad air out

I thought I heard him shout

 

Tornou-se tão conhecida como uma canção grosseira que até assobiar a melodia na rua era considerado uma ofensa.

 

in Wikipedia


tags:

publicado por garçon às 21:35 | link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 11.03.09

O pianista e compositor negro Scott Joplin (Texarkana, Texas 1868 - Nova Iorque 1917) foi o grande mestre do ragtime (ver em baixo). Activo em Saint Louis e Sedalia, berços deste novo estilo, contribuiu de modo decisivo para o definir. O seu Maple Leaf Rag (1897, editado em 1899) foi um êxito clamoroso e deu-lhe fama e prosperidade. Mas, em vez de se repetir na fórmula de efeito seguro, Joplin concebeu a ideia ambiciosa de uma música nacional negra. Para ele, o ragtime era uma arte, expressão de uma subcultura americana. Escreveu rags sempre mais complexos, profundos e de difícil execução, marchas, valsas e uma habanera; partituras esplêndidas, mas impopulares. Escreveu, ademais, duas óperas: A Guest of Honor (1903, perdida) e Treemonisha (1911), uma fábula alegórica sobre a libertação dos negros. Considerada demasiado ofensiva para ser representada, Treemonisha é hoje reconhecida uma obra-prima do teatro musical americano. Scott Joplin enlouqueceu sem a conseguir ver em cena, o que aconteceu apenas em 1972.

 

O ragtime é uma música dançável executada muitas vezes ao piano, mas também com banjo, em que a mão esquerda mantém um rígido ritmo de marcha, enquanto a direita toca melodias sincopadas. Surgiu cerca de 1895, em Saint Louis, da fusão entre música negra culta e popular. Em 1910-20, músicos negros que trabalhavam em Nova Iorque e Nova Orleães introduziram no ragtime a improvisação transformando-o em jazz.

 

Texto escrito com base no livro Os Caminhos do Jazz, Guido Boffi, Edições 70


tags:

publicado por garçon às 21:35 | link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
links
Junho 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

29
30


posts recentes

Foi Jazz - Sidney Bechet

Foi Jazz - Bessie Smith

Foi Jazz - James Price Jo...

Foi Jazz - King Oliver

Foi Jazz - Jelly Roll Mor...

Foi Jazz - Buddy Bolden

Foi Jazz - Scott Joplin

arquivos

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

tags

acesso ao casamento

bem disposto

clássicos

coisas de contar

conta como podia ser

contra-buplicidade

dança

desafio

desliguem os telemóveis.

direitos assertivos

direitos humanos

é o drama

flores

hobbies

igualdade

jazz

jazz foi

jazz fresquinho

mundo engraçado

mundo feio

o virar da página

objectivamente (fotografia)

olha pra mim

pessoas

poesia

ponto de escuta

prosa

quem sabe...

sweet sadness

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds