Terça-feira, 20 de Novembro de 2007
A notícia "Tribunal da Relação deu razão a despedimento de cozinheiro com HIV" (in Público, edição online, 18.11.2007) é chocante. Só tenho a dizer isto:
Os senhores que estão cheios de medo de comer num restaurante cujo cozinheiro é seropositivo por acaso conhecem todos os cozinheiros de todos os restaurantes onde vão? Parece que é isso que querem dizer. Ou então, nunca comem fora!
Eu vou muitas vezes comer em casa de um amigo, seropositivo, que cozinha muito bem, e (pasmem-se) ainda não contraí a doença. Será que é porque só nos rimos e ele nunca derramou lágrimas para cima de mim? De chorar é a ignorância dos mais altos cargos deste país.
É uma insensatez. Não há direito. É triste ver coisas destas acontecerem mas ainda bem que são divulgadas. Só espero é que as vozes da razão sejam mais fortes do que a expressão da ignorância - o medo.


publicado por garçon às 02:49 | link do post | comentar | favorito

O filme Control, de Anton Corbijn, que se debruça sobre a vida íntima de Ian Curtis (vocalista dos Joy Division) através da biografia escrita pela mulher, Deborah Curtis, é um excelente exemplo de empatia no cinema.
Poucos filmes nos fazem sentir tão nitidamente o que as personagens sentem por dentro e não aquilo que exteriorizam, principalmente quando se trata de sentimentos negativos. Mas como saber o que lhes vai na alma? Pois é! Não se pode saber e é assim que da incompreensão nasce uma angústia que não pára de aumentar do princípio ao fim do filme, igual à angústia vivida no grande écrã.
Quanto mais Ian (Sam Riley) se afunda na espiral dos seus conflitos interiores mais eu me senti angustiado e acompanhei o drama dele como se de um familiar se tratasse e que eu quisesse ajudar e não soubesse como. Infelizmente, é o que se passa com todas as doenças do foro psicológico. Quem as tem sofre, mas quem as vive de perto também sofre muito.
Por outro lado, a intensidade, a caracterização e o desempenho de Sam Riley são impecáveis durante o filme todo. O olhar cheio de expressões enigmáticas sublinhadas a bold por umas olheiras permanentes, a linguagem que mais fala através de silêncios que ninguém ouve (se no dia-a-dia decifrássemos os silêncios muita coisa se podia evitar), os gestos comedidos, nervosos, arrependidos mesmo antes de o serem e os ataques de epilepsia (de um realismo impressionante), entre outros apontamentos (como as actuações musicais ao vivo), colocam Sam Riley na corrida ao Oscar de melhor actor principal.
Voltando à empatia que este biopic cria, aconteceu algo muito engraçado. A meio do filme, quando o silêncio já ecoava por todo o lado, eu disse a mim mesmo "Ele é tão deprimente" e mal acabo de pensar isto, Annik - a amante de Ian - diz "Ian, és tão deprimente"...
O visionamento deste filme não é aconselhável a pessoas que sofram da alma. Eu já sabia do fim trágico de Ian Curtis, mas desconhecia que a vida dele tivesse sido tão perturbada e perturbadora. Depois disto, será difícil ouvir Love Will Tear Us Apart da mesma maneira...

Também não entendo o que é que as mulheres vêem em tipos assim...



publicado por garçon às 01:54 | link do post | comentar | favorito

Sábado, 17 de Novembro de 2007
...Entrar numa estação de metro e sentir o vento quente que vem de dentro. E ao sair do metro para a rua, sabe-me bem sentir o cache-col aconchegado ao pescoço, a roupa junto ao pêlo e a cara exposta ao fresco.


publicado por garçon às 18:38 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Este Inverno é o que se passa cá dentro e não o que se espera pela sucessão das estações. Já não se sabe o que esperar com as alterações climáticas que temos vivido. Quem me dera essas alterações em mim também mas, pelo contrário, à medida que o planeta aquece eu fico mais frio. Deve ser por causa da diferença das temperaturas, só pode. No fundo, eu não mudei e apenas sofro o impacte ambiental da Humanidade.

Já sei porque é que certas pessoas deixam de sonhar. É por causa de uma pergunta frequente que devia ser abolida: Onde é que vais estar daqui a 10 anos? Aliás, já devia ter sido abolida há 10 anos atrás. Quando eu tinha 20 anos, sonhava que aos 30 ia ter uma vida que, volvidos 10 anos, não tenho. O pior é que eu não sei como parar de sonhar. Deve ser por isso que ando tão azul como o céu de Outono a escurecer.

Ou será que é porque já não consigo sonhar como nos meus 20 anos? Ando na dúvida, e certezas? Nenhuma.


publicado por garçon às 17:17 | link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

Depois de ver Across The Universe, com um foco na guerra do Vietname, e antes de escrever Este Inverno, debruçado sobre a minha guerra interior, importa aqui relembrar que todas as guerras são injustas e frias para quem há sempre um piano.



publicado por garçon às 15:42 | link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007

Parece que os musicais estão outra vez na moda e ainda bem. Para mim, que gosto tanto de cinema como de música, não pode haver melhor conjugação. E se se juntar a isso o amor, então... ai ai...
Depois de Les Chansons d'Amour, chegou a vez de Across The Universe, um filme de Julie Taymor. Mas enquanto que o primeiro é um filme escuro, denso e tendencialmente fatalista em torno da condição humana, o que é uma marca do cinema francês mais "académico", o musical em língua inglesa celebra a cor, o movimento, a festa, o psicadelismo e a liberdade (qual fado, qual quê!). Ao bom estilo americano, o melodrama está lá com o romance que ultrapassa tudo entre Jude (Jim Sturgess) e Lucy (Evan Rachel Wood) - ambos lindos de morrer! Mas aqui o espectáculo visual é que interessa. Há uma sobreposição de imagens gráficas e animadas nas cenas vividas pelas personagens (também superdinâmicas), eu diria que em mais de metade do filme. Isto com música sempre a bombar, os actores a cantar e a participação mais ou menos discreta de artistas mais famosos que os protagonistas como Bono, Salma Hayek ou Joe Cocker (este figura poucos segundos como mendigo e quase não nos damos conta de que é ele).

A história passa-se nos EUA dos anos 60, durante a guerra no Vietname e toda a contestação gerada em volta. O engraçado é que no meio das trapalhadas americanas, surge um simples rapaz operário vindo de Liverpool que acaba por servir de elo entre uma série de outras pessoas, com lógica ou sem ela (como é o caso da frágil Prudence ou do fiel guitarrista cujas origens se desconhece). Todos os aspectos sérios e divertidos da época são retratados nesta jovial vertigem de fantasia e sonho, incluindo as fraquezas que sempre vêm ao cimo e arriscam a acabar com os ideais e as referências. Porém, no fim o amor vence e é esse o maior poder que existe no universo.

A força da imagem é uma constante e eu gostei particularmente da cena (tendo Strawberry Fields como banda sonora) em que a narrativa passa alternadamente pelo quarto em que Jude descarrega a sua raiva "pintando" um quadro com morangos maduros, pelo Vietname onde o seu melhor amigo, Max (irmão de Lucy), assiste a violências traumatizantes e pelos confrontos na rua entre a polícia e manifestantes pacifistas entre os quais Lucy defende uma causa pelos entes mais queridos (Max e o antigo namorado, que morreu na mesma guerra).

Ao som dos Beatles, com Jude a ser reanimado ouvindo Hey Jude, com um tumulto na rua onde um menino canta Let It Be ou com os flatmates de Prudence a cantarem Dear Prudence tentando que ela saia do quarto onde se fechou, Across The Universe é quase um teledisco, tal é o impacto audiovisual das cenas e das coreografias executadas nos ambientes quotidianos transformados em palco. Como eu não gosto muito de Beatles, apesar de reconhecer a sua força emotiva, deu-me mais prazer ouvir a faixa dedicada a Prudence, vindo-me imediatamente à memória a mesma canção mas na interpretação única de Siouxsie and The Banshees. Ora vejam e ouçam:


publicado por garçon às 23:36 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007
"Saltitam, crepitam, toma lá e dá cá, São Martinho sem vinho e castanhas não há" ensinou-me a cantar a minha sobrinha neste São Martinho passado no magusto do Terreiro do Paço, organizado pela Câmara Municipal de Lisboa no âmbito da iniciativa "Aos Domingos o Terreiro do Paço é das Pessoas".
A organização contou com a participação do maior assador de castanhas do mundo (registado no Guinness World Records), que veio expressamente de Vinhais, Trás-os-montes, para alimentar a curiosidade e a gula dos alfacinhas e não só.

O evento foi um sucesso se repararmos na quantidade de gente que circulou pela praça, que para além das castanhas assadas ofereceu uma prova de inúmeros vinhos sem limite e sem pagar mais por isso (bastando comprar um copo uma única vez por 2,5 Euros e usá-lo para a prova de todos os vinhos que se quisesse).

Muita animação de gaiteiros, outros grupos musicais e máscaras do nordeste transmontano completou o ambiente de convívio para as pessoas que ali se deslocaram em família ou com amigos. No meu caso foi a família.


publicado por garçon às 11:27 | link do post | comentar | favorito

Sábado, 10 de Novembro de 2007

Finalmente, a minha amiga Alice encontrou uma maneira de partilhar comigo as fotografias das férias em Portugal, em Junho do ano passado. Valeu a pena esperar para poder rever estes amigos que estão longe e recordar os bons momentos que passámos juntos.

À noite, comemos petiscos típicos como pica-pau, moelas, linguiça assada e outros e tanto ela como o Ben arregalaram os olhos de prazer e fizeram hmmmmmmmmmmmmmmmmmm por cada iguaria deliciosa que veio para a mesa (eu também lambi os beiços). Depois, fomos beber mais uma cerveja nas barbas do Adamastor.



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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

O último álbum do David Fonseca, Dreams In Colour, é para mim o melhor da carreira dele. É cativante do princípio ao fim, dum pop electrizante inteligente, com um resultado final a nível de som muito claro e bem definido. Cada canção tem uma identidade distinta, que fica logo no ouvido e, por isso, não cansa ouvir o disco de fio a pavio mais do que uma vez sem parar. Apesar da singularidade de cada tema, todos se tocam num ponto qualquer e, sem quebras, dão vontade de assobiar e pular e ir já ao primeiro concerto que houver.
Comecei por duvidar do David Fonseca quando fazia parte dos Silence4 e achava estranho que algumas raparigas da faculdade ainda colassem posters dele nas paredes das suas residências. Eu julgava que depois do primeiro sucesso ele ia desaparecer. Mas hoje, tenho que dar o braço a torcer e faço-o com muito gosto.
De disco para disco, o David Fonseca tem melhorado sempre e não é pouco, superando sempre as minhas expectativas. Além disso, ele é um artista inovador, dos que usam a sensibilidade e o talento para explorar outras áreas, como a fotografia e o audiovisual, além da música.
O vídeo de Superstars II, o 1º single de Dreams In Colour, foi realizado por ele próprio, David Fonseca, a super estrela.



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Em conversa com quem calha, sempre comparo o bar Incógnito, em Lisboa, com o bar Buraco Negro, em Coimbra. Neste passei mais tempo do que nas salas de aula. Era sem dúvida a segunda casa de um grupo de amigos, não só os próximos como todas as caras conhecidas que formavam um espécie de clã. O ambiente era muito familiar e as noites passadas lá eram excelentes. Eu nunca saía antes de fechar a pista (hábito que ainda mantenho) e esta terminava sempre, depois de Rammstein, Marylin Manson, Prodigy, Stone Temple Pilots, Cypress Hill, The Mission, The Doors, Led Zeppelin e afins, com Carlos Paredes ou Perfect Day de Lou Reed. Aaaah, que arrepio senti eu agora! Como era bom acabar a noite a dançar abraçado à Márcia (a minha alma-gémea do Norte, caralho!) esta canção tão cheia de sonhos e cumplicidade!
Cada vez que vou ao Incógnito lembro-me do Buraco Negro e no sábado passado não houve excepção. Recordei os finais de noite do Buraco porque desta vez o Incógnito também fechou com uma canção calminha que me diz muito, não só por ser do meu grupo favorito de sempre: Depeche Mode. A canção chama-se The Things You Said e faz parte do álbum Music For The Masses, um dos melhores do grupo.



publicado por garçon às 02:41 | link do post | comentar | favorito

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