Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007
Esta é a porta de igreja que vi ontem e por onde entrei:



Podem ler de perto o que está em cima da porta:



Esta é a igreja que está atrás, virada para o outro lado:



Segue o esclarecimento sobre a igreja de Jesus ou Mercês:

Localização
Largo de Jesus, Rua Eduardo Coelho nº 95
Freguesia: Mercês

Autoria
Arquitecto Joaquim de Oliveira (act. 1753-1803)

Data
Século XVIII

A actual igreja resulta da reconstrução executada após o terramoto de 1755, quando ruiu todo o tecto de cantaria do templo, o retábulo do altar-mor e os arcos que dividiam o cruzeiro do coro. A nova igreja, sob a orientação e a acção de Joaquim de Oliveira, admite também a participação do arquitecto Mateus Vicente de Oliveira, pela existência do arco contracurvado na fachada principal, "assinatura" característica deste último. A igreja, de nave única e planta rectangular, apresenta azulejos de grande profusão decorativa, mármores e painéis artísticos de temática essencialmente religiosa.
Em 1834, com a extinção das ordens religiosas é instalada na igreja, a paróquia de Nossa Senhora das Mercês e em 1838, nas dependências conventuais a Academia das Ciências.

in http://revelarlx.cm-lisboa.pt/index.php


publicado por garçon às 01:55 | link do post | comentar | favorito

A oportunidade é uma das coisas que não voltam atrás. Tal como pensei ontem na esplanada do miradouro de Santa Catarina "porque é que eu não tenho uma máquina fotográfica aqui e agora comigo? Que desperdício de imagens, de claridade, de oportunidades únicas!"
De facto, prometi que hoje me desforrava mas já não fui a tempo porque a luz hoje já não era a mesma. O céu apresentava-se turvo e senti um frio que me apanhou desprevenido.
Mesmo assim, ainda fiz o uso que pude. Vejam!

Jardim da Estrela





Freguesia das Mercês





Rua de O Século


publicado por garçon às 01:09 | link do post | comentar | favorito


Esta é a fotografia inaugural da minha nova máquina fotográfica, captada no Jardim da Estrela.


publicado por garçon às 01:02 | link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
Esta manhã saí de casa mais cedo do que queria por motivos de força maior (obras em casa, detesto!) mas até foi o melhor que fiz porque o dia na rua correu maravilhosamente bem. Foi mais um dia de Sol fantástico e Lisboa hoje estava mais bonita e fotogénica do que nunca. Apanhei o 738 até ao Jardim da Estrela e pus-me a caminhar sem destino. Andei por S.Bento, Mercês, Bairro Alto (gosto muito mais do Bairro Alto de dia), Santa Catarina e Chiado.
Percorri ruas escondidas debaixo da Rua de O Século e numa delas, a Rua Eduardo Coelho, descobri uma igreja estranhíssima como nunca tinha visto. Em vez de ter uma fachada imponente e uma escadaria para subir, era uma simples porta num edifício baixo e banal e uma identificação em cima (e se não fosse isso quem passasse não dava por ela). E o mais insólito é que em vez de se subir para entrar, descia-se por umas escadas interiores de pedra para uma espécie de cave. Depois tinha um hall bastante grande à esquerda com duas imagens na parede que dava para as duas casas mortuárias - um ambiente muito escuro, solitário e silencioso. À frente, havia um corredor, um género de ante-câmara da igreja, julguei eu, porque tinha uma porta ao fundo, que não ousei abrir. Ainda tentei ir ao pátio interior - à direita desse corredor - mas a porta estava trancada. Não entrei na outra porta porque não sabia exactamente o que era e ouvi sussurros lá dentro... Mas o que vi de mais bonito (se calhar, a única coisa realmente bonita ali) foi o painel de azulejos que cobria o TECTO(!) e cerca de metade das paredes a toda a volta. Os motivos eram religiosos, claro está, e estava muito bem conservado. Esta igreja é realmente muito diferente fisicamente. Será que também é assim espiritualmente? Duvido...

(acabei de fazer algumas pesquisas e parece-me que eu estava nas traseiras da grande Igreja de Jesus ou das Mercês, que fica pegado à Academia das Ciências; acho que amanhã vou confirmar isso)

O maior deslumbre tive quando cheguei ao miradouro de Santa Catarina (Adamastor), desta vez pelas ruas mais à direita. O Tejo brilhava tão fortemente que parecia ter cardumes à tona de água em constante frenesim por causa do Sol escaldante. Não resisti a sentar-me um pouco na esplanada para contemplar aquele espectáculo de luz e só pensava "porque é que eu não tenho uma máquina fotográfica aqui e agora comigo? Que desperdício de imagens, de claridade, de oportunidades únicas!"
Voltei em direcção à Calçada do Combro pela rua do costume e de repente fiquei perplexo ao ouvir uma gaita de amolador, como nos tempos da minha infância (tempos em que chovia mais e os meus pais pediam ao senhor do som bonito na rua para consertar os chapéus-de-chuva). E ele estava ali! For real! Montou a sua bicicleta cheia de tralha dos lados e atrás e lá foi a fazer-me companhia quase até aos armazéns do Chiado, sempre com aquela melodia curta, que já na Rua Garrett competiu com o flautista da esmola e o burburinho de gente animada.
Naquele momento, apeteceu-me agarrá-lo, fazer-lhe perguntas, o que fazia ali, porque fazia aquilo, se tinha clientes, quem eram, como é que trabalhava e desde quando. Onde é que ele esteve este tempo todo? Apeteceu-me tirar-lhe uma fotografia, no mínimo. E então, disse a mim mesmo: D'hoje não passa!

Andava há que tempos a sentir falta de uma máquina fotográfica para captar estes pequenos momentos mágicos da minha vida e do mundo. Mas mesmo há demasiado tempo. Perdi imensas oportunidades de fixar imagens que me fizeram feliz por um instante. Queria prolongar essa felicidade tão efémera por tempo indeterminado.
Então, fui directo à Fnac e comprei uma máquina compacta digital. Amanhã, desforro-me! Preparem-se para a festa da fotografia no Sai Sempre.


publicado por garçon às 02:08 | link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito

Domingo, 4 de Novembro de 2007
...a melhor canção de entre todas as Canções de Amor, cuja banda sonora original recebi hoje em casa pelo correio. Tive que a encomendar pela internet através da Amazon porque, pasme-se, nas lojas portuguesas o disco não está à venda e já esteve mas foi na altura da estreia mundial, o que significa que foi há meses atrás quando ainda quase ninguém sabia da sua existência. Porém, descobri que não se perde nada em comprar via on-line, pois, o custo total da encomenda (com os portes de envio) foi de apenas EUR 14,58!

Vou deixar aqui a letra da última canção do disco - J'ai cru entendre - a canção que encerra o filme com o par amoroso emergente. Os protagonistas deste diálogo são Ismaël e Erwann, interpretados pelos actores Louis Garrel e Grégoire Leprince-Ringuet, respectivamente. Este belo jovem bretão ama incondicionalmente aquele velho, viúvo, sectário, pobre e imbecil secretário, que queria apenas um corpo. Só tenho pena de não encontrar os videos na internet porque as canções em cena têm mais força.



Ismaël
Mon petit, depuis ce matin
J'ai traîné comme un crétin
Au niveau du caniveau
De Montparnasse à Château d'eau
J'ai bu des verres, des verres et puis des verres
Zubrowska, Riesling, Pipper
À court de tout, à bout de moi
Je suis revenu chez toi

Moi je voulais juste un corps
Je cherchais seulement des bras
Un lit de réconfort
Des délices sous les draps
Mais hélas au lieu de ça

J'ai cru entendre je t'aime
J'ai pensé c'est son problème
J'ai cru entendre je t'aime
J'ai pensé c'est son problème

Peu importe que tu y croies
Peu importe que je sois
À bout de moi, à court de tout
Mais pas de ça entre nous

Erwann
Être un corps, je suis d'accord
T'offrir mes bras pourquoi pas
Mon lit, Ok encore
Pour rire en salir les draps
Mais je crains que pour tout ça

Tu doives entendre je t'aime
Tu doives entendre je t'aime

Ismaël
Je suis vieux, veuf et sectaire
Un pauvre imbécile secrétaire
Erwann
Je suis beau, jeune et breton
Je sens la pluie, l'océan et les crêpes au citron
Ismaël
Tais-toi un peu, petit trésor
Erwann
Tu as tout faux, une fois encore
Suis très précieux, épargne-moi
Ismaël
D'accord mais entre nous pas de ça

Erwann
Être un corps je suis d'accord
Ismaël
Je cherchais seulement des bras
Erwann
Mon lit, Ok encore
Ismaël
Des délices sous les draps
Erwann
Mais je crains que pour tout ça
Tu doives entendre...


publicado por garçon às 21:54 | link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito

A segunda canção da Nina Simone relacionada com Amanhecer é Wild Is The Wind e é uma das mais belas exaltações do amor como fonte de vida e do beijo como renascimento.

Love me love me love me
Say you do
Let me fly away
With you
For my love is like
The wind
And wild is the wind

Give me more
Than one caress
Satisfy this
Hungriness
Let the wind
Blow through your heart
For wild is the wind

You...
Touch me...
I hear the sound
Of mandolins
You...
Kiss me...
With your kiss
My life begins
You're spring to me
All things
To me

Dont you know you're
Life itself
Like a leaf clings
To a tree
Oh my darling,
Cling to me
For we're creatures
Of the wind
And wild is the wind
So wild is the wind

Wild is the wind
Wild is the wind


publicado por garçon às 21:06 | link do post | comentar | favorito

O post anterior levou-me até Nina Simone e duas das suas melhores canções.
A primeira chama-se Feeling Good e canta isto: "It's a new dawn, It's a new day, It's a new life for me". Reflecte bem o estado de espírito de um belo amanhecer.


publicado por garçon às 20:58 | link do post | comentar | favorito


O melhor de se começar a noite lisboeta tarde é que termina igualmente tarde. Ou cedo, para quem acaba de acordar. Digo que é o melhor porque permite assistir ao amanhecer de uma cidade diferente da do meio-dia. Diferente ainda da cidade do entardecer e da cidade do anoitecer. Esta semana tem sido óptima para ver o nascer de Lisboa, com o céu limpo e uma luz que deixa tudo a descoberto com a maior nitidez.
Com a cidade sinto-me amanhecer também, quando estou sozinho, e há algo de renascimento nisso como se o novo Sol viesse mais forte e queimasse tudo o que é passado e só lhe interessasse o novo dia. Tudo é novo. E limpo. E há tanto tempo para aproveitar.
Quando a solidão me abandona para dar a vez à companhia, vamos ao café Suíça comer uma torrada, eu, uma pastelaria fresca, tu, café com leite, os dois. Vamos ensinar aos sentidos o acto de sentir que ficou esquecido de um dia para o outro. Vamos aprender que é bom saborear, donde vem este cheiro apetitoso, o que aquece o corpo e a alma, como são bonitos os teus olhos e a vontade de me agarrar, ouvi-te dizer. Que coisa é esta que sinto por dentro, não calor, não físico, que sentido sente assim não sei bem o quê?
O amanhecer apaga a sujidade da noite e prolonga o que resta de bom, como um beijo roubado à pressa com medo que a luz do dia o deixe para sempre inexistente na cave nocturna. Um beijo que a manhã afinal recebeu e que, no entanto, se escondeu dela num vão de escada para não ser queimado mas sim acusado de fogo posto.
No amanhecer, quantos beijos foram trocados, quantos ficaram por dar, quantos corpos imolados e quantos vãos de escada assim purificados?


publicado por garçon às 15:13 | link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

A cidade de Lisboa é uma cidade essencialmente de trabalho. Diariamente, entram milhares de pessoas ao início do dia e saem ao final do mesmo sem na maioria das vezes usufruirem calmamente do espaço público que Lisboa oferece. Assim, vemos pessoas a correrem desalmadamente pelas ruas do centro, a caminho do trabalho ou de casa, sendo observados pelos turistas esplanadados ao Sol com aquela moleza das férias.
Porém, esta semana voltei a percorrer uma avenida de Lisboa, a Avenida da Igreja, que há muito não percorria e me deu a sensação de que, afinal, há vida nesta cidade. Não sinto isso com muita frequência excepto em zonas populares como o Chiado. No entanto, é diferente. No Chiado, há uma confusão de géneros de pessoas que desenraíza o bairro a favor de uma caracterização indefinida, ao que muitos chamam de cosmopolitismo.
Eu assisti na Avenida da Igreja a um tipo de urbanidade isento de turistas e de outsiders. Pelo contrário, vi pessoas descontraídas, habituadas ao bairro, que se movimentavam e estavam nele com o à vontade de estar seguro em casa. Só eu andava ali com os olhos curiosos a denunciarem a minha estranheza aos outros. A vida continuava apesar disso e era bonito ver a movimentação constante que obrigava os automobilistas a esperarem antes das passadeiras quando mudavam de direcção tal era o fluxo de transeuntes.
Ao mesmo tempo, muitas outras pessoas deixavam-se ficar sentadas nas mesas de fora dos cafés conversando, bebendo, comendo, olhando e esperando. Entre os cafés, o comércio também atrai com as montras bem elaboradas das lojas modernas alternando com as lojas de maior idade onde a fruta ainda é exposta no exterior a meter cobiça a quem passa. Tudo isto num dia cheio de Sol e folhas secas a caírem ao ritmo das brisas passageiras me animou.


publicado por garçon às 11:56 | link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

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