Sexta-feira, 14 de Março de 2008

Celebra-se este ano o centenário do nascimento da mais romana das actrizes, Anna Magnani (n. Alexandria, 7 de Março de 1908). Fruto de uma relação extraconjugal, Magnani foi educada por uma avó e em colégios de freiras e começou a trabalhar muito cedo como cantora em bares para pagar os estudos de arte dramática. Mais tarde, o seu sustento passou a ser o das comédias e revistas. Digamos que teve uma vida intermitente até ser descoberta a sua veia dramática - por oposição à comédia - em 1945, no papel de Pina em Roma Città Aperta do realizador Roberto Rossellini. Aqui começou a sua época de ouro na sétima arte trabalhando não só com cineastas italianos mas também com estrangeiros. Em 1955, dez anos depois, foi a primeira actriz estrangeira a ganhar o Oscar da Academia de Hollywood por um papel principal em A Rosa Tatuada, de Daniel Mann. A personagem que interpretou fora criada expressamente para ela por Tennessee Williams. Anna não recebeu o prémio na gala porque não acreditou na vitória e ficou em Roma, onde foi despertada do seu sono para lhe darem a notícia. Novamente nomeada em 1957, com o filme Wild Is the Wind de George Cukor, não bisou o troféu americano mas foi premiada no Festival de Berlim. Com o primeiro fracasso pós-consagração, no filme The Fugitive Kind (de Sidney Lumet em 1959), nunca mais voltou a ser glorificada. Senhora de uma personalidade forte e de uma expressividade apaixonante, Magnani esposa, mãe e mulher não teve uma vida fácil. Primeiro, o casamento foi anulado, depois viu-se confrontada com a poliomielite do filho e ainda foi rejeitada por Rossellini (com quem viveu um romance a seguir a Roma Cidade Aberta), a favor da actriz Ingrid Bergman. Apesar de tudo, trabalhou sempre, até morrer vítima de um cancro do pâncreas. Consta que o seu funeral foi um dos maiores jamais vistos na Cidade Eterna.


publicado por garçon às 13:35 | link do post | comentar | favorito

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