Sábado, 21.06.08
Quando eu estudava, costumava escrever nas margens dos textos fotocopiados as minhas reflexões sobre o que lia. E também sobre o que me distraía. Às vezes eram as canções que estavam a passar nos canais de música (quando a sala era onde é agora o quarto dos meus pais antes de a minha irmã ter casado) e que eu queria reter para comprar ou gravar mais tarde. Às vezes eram coisas que não queria esquecer, que queria fazer ou angustiadas tentativas de começar um poema...
Agora que estou a enterrar parte do meu passado deitando fora resmas de papel que já não me serve para nada, é curioso encontrar também listas de palavras ou expressões cuja motivação e nexo se encontram varridas da minha memória e são tão novas para mim como para qualquer outro leitor.
À esquerda do começo de um capítulo (o catorze) com o título "Hacia una nueva responsabilidad pública en la televisión" escrevi isto:

Imagem
Ironia
Originalidade
Finalista
Amigo q se deu bem
Música
Rapaz normal
Procura
Int. Simp. Bem disp.
Bom nível cultural, 1 pouco cáustico
Inexperiência/desconfiança
Moreno/Altura/Peso/cab/olhos
Bem parecido q.b.
Escrever muito
-----"-----
Sinceridade
Não frequentador
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NR-A transcrição do manuscrito respeita a ortografia e grafismo do original.


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Domingo, 23.03.08


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Quarta-feira, 19.03.08
- Sinto que se quisesses já tinhas demonstrado interesse em me conhecer melhor.

- Demonstrei interesse em não te conhecer?

- O silêncio diz tudo.

- Por isso é que cada um ouve o que pensa...

De repente, este diálogo déjà vu un million de fois (sobre gajos que dizem não stressar mas cobram a sms que não recebem pouco tempo depois) iluminou-me um dito popular de uma forma que me espantou a mim mesmo e serve de reflexão filosófica sobre a(s) possibilidade(s) do silêncio. Existirá silêncio? Absoluto? Ou, pelo contrário, não é possível enquanto houver Voz? A Voz fala para fora e fala para dentro. A voz interior nunca se cala e, às vezes, até ensurdece.
Logo, o silêncio no ouvido é a Voz a sussurrar: Precisas de atenção.


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Quinta-feira, 13.03.08
Só por graça, quando a recepcionista do CAD me deu a rodela com o número treze, virei-me para ela e gracejei mostrando-lho: O treze é para me dar sorte? Vai dar, respondeu ela. Sabia lá ela! Acertou por acaso! Por acaso também era dia 13.


publicado por garçon às 18:02 | link do post | comentar | favorito

- Posso desabafar?
- Sim.
- Estou muito triste e só me apetece chorar.
- Porquê?
- Acabei de saber que um amigo meu tem SIDA.
- Como?
- Acabou de mo dizer. Ao telefone. Já está em fase de progressão da doença.
- E tu?
- Nunca o conheci pessoalmente. Tem 25 anos.
- Ele não fazia o teste regularmente?
- Não. Foram os médicos que descobriram quando ele já estava doente.
- E tu?
- Fiz o ano passado quando comprei casa por causa do seguro de vida.

...

Acabei de vir da Lapa onde fui fazer o teste de HIV. Há um ano que não fazia. Já tinha pensado nisso antes mas uma conversa como esta acelerou o processo. Felizmente está tudo bem. Ou pelo menos estava até há três meses atrás. A partir daí para a frente não está coberto pelo teste rápido. Foi a primeira vez que fiz o teste rápido, que fica pronto em meia hora, e acho que é melhor do que a recolha de sangue apesar de ter um período de janela maior. Ao menos não se anda três ou quatro dias a pensar no envelope e no que pode ter lá dentro.
A psicóloga primeiro aconselhou-me a só fazer o teste quando tivesse passado os três meses descobertos sobre a última ocasião de risco. Para não ver a minha deslocação dar em infrutífera, disse-lhe, com a maior lata que me foi possível juntar, que mais valia não ir por aí porque podia voltar a fazer o mesmo e só iria adiar o teste sucessivamente.
Há carências que nem o melhor chocolate do mundo, cigarros ou música suprimem.


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Sexta-feira, 07.03.08
Esta noite abri o Muralhas de Monção branco que o meu cunhado me deu "para uma ocasião especial". Só o vinho bastava para celebrar, Só. Mas não posso deixar de homenagear o espectacular Chop Suey do LIDL pronto em cinco minutos no microondas que bem acompanhou aquele néctar. Viva o LIDL finalmente perto de casa!


"You know, the day you open a '61 Cheval Blanc... that's the special occasion."
Maya to Miles Raymond in Sideways


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Terça-feira, 04.03.08
Como é bom recordar os bons e velhos tempos (porque os novos, ai!, que dor), relembro aquele festival mítico do Minho ao qual fui em 2003 com a minha mais que tudo Márcia. Ó pra nós (na fotografia em cima) tão felizes, os dois, praticamente sozinhos (juro que não havia mais ninguém) debaixo de uma chuva miudinha (a humidade era persistente) a conversar e a avacalhar sentados em frente ao palco secundaríssimo onde estava a tocar uma banda que, embora eu não conhecesse nem de ouvir falar e nem lhe estivesse a ligar muito naquele momento, ficou-me marcada pela forte apresentação (sem audiência, note-se) e pela música, que mais tarde ouvi com atenção em casa e, então aí, rendi-me.
Era os Trash Palace. Era uma vocalista a cantar de corpo e alma (literalmente - a moça estava só de lingerie sexy). E cantava como se o recinto à sua frente estivesse cheio. E parecia não ter frio nem saber o que isso era apesar de estar um gelo.
A música do álbum - Positions - (que adquiri depois) vai das faixas electrizantes até à mais melancólica melancolia. Consagra o sexo sem tabus com guitarradas eléctricas e electrónica à mistura ("Sex on the Beach") e faz hinos ao amor doce com melodias tão suaves como as de uma harpa ("Your Sweet Love"). Tem a vantagem de reunir vozes convidadas, como as de Brian Molko e Asia Argento, que fecham o alinhamento do disco com um surpreendente Je T'aime Moi Non Plus (de facto, este tema tem um potencial ilimitado para versões; recordo a excelente recriação, em inglês, por Cat Power e Karen Elson).

Como diria António Nobre - que eu ando a ler:
Não tendo presente, muito menos futuro,
Pois que é esse o meu triste fado,
Só me resta nesta Torre, no escuro,
Viver com os fantasmas do passado.



Your sweet love, your sweet love
Is holding me, is touching me
Your sweet love, your sweet love
Is watching me, is kissing me

Everytime I see you smile
It makes me hope, and I go wild
Holding, feeling, touching, dreaming

I lay down and think of you
Imagining the things we'll do
The things we'll do...



O princípio musical da próxima é lindo. Faz-me viajar pelo espaço, entre as estrelas ou só com a Lua Cheia...



publicado por garçon às 00:26 | link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

Segunda-feira, 11.02.08

Assim passou o Carnaval de 2008, em que pela primeira vez me mascarei e não me saí nada mal. Mesmo sem capa preta. O comentário mais engraçado que ouvi (e vi) foi o de um rapaz embasbacado a olhar para mim que disse: "Grande pausa, meu!"


publicado por garçon às 20:39 | link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

Sábado, 02.02.08
Hoje de manhã, tinha acabado de começar a trabalhar, a loja ainda vazia, uma colega vira-se para mim com um livro na mão a mostrar-me a capa e diz:
-Olha, este livro é tão giro! Hoje estou num daqueles dias em que só me apetece o mesmo.
O título do livro era "Dá-me um abraço" e contava a história de um ouriço que pedia um abraço a toda a gente mas ninguém lho dava por ser muito espinhoso.
Eu, no mundo dos sonhos ou demasiado concentrado no meu umbigo como tenho tentado ultimamente, respondi a rir:
-Pois é, há dias assim. Ou disse: -Comigo também acontece. Já nem sei bem o que falei. Mas falei só por falar, para fazer o jeito e nem percebi a verdadeira intenção dela.
Só à hora de almoço é que percebi como tinha sido estúpido. Estando eu no armazém, ouço-a contar a outra colega, pegando no mesmo livro, a conversa que tinha feito comigo de manhã. Foi então que se fez luz na minha cabeça (a meio do dia convinha ou, então, era mesmo estúpido ou muito distraído).
-Espera lá! - disse eu -Tu querias que eu te desse um abraço! Que estupidez a minha não ter percebido a indirecta, ou melhor, a directa!
Elas desataram a rir e eu também.
-Ainda vou a tempo? -perguntei acanhado.
-Bem... Pode ser, vá.
Abracei-a. Apesar de tudo, soube-me bem. Espero que tenha sabido bem a ela também.
Não estou habituado a que me peçam abraços nem a pedi-los desde o tempo em que estudava em Coimbra. Este pedido, que não entendi logo à primeira, foi, por isso, muito surpreendente para mim. Aquela miúda é especial.


publicado por garçon às 21:53 | link do post | comentar | ver comentários (7) | favorito

Sexta-feira, 01.02.08
Preciso de uma capa preta lisa do tipo da do Zorro e não sei onde encontrar. Alguém me pode ajudar?


publicado por garçon às 15:23 | link do post | comentar | favorito

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